RFID: um caso de uso na saúde

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O West Virginia Healthcare (WVU) é um centro de traumatologia importante, que conta com unidade ambulatorial e quase vinte salas para procedimentos cirúrgicos. Em instituições hospitalares desse porte, rastrear tecidos e órgãos humanos utilizados em cirurgias pode se tornar uma tarefa árdua. A instalação de gabinetes habilitados por RFID para armazenamento desses insumos combinada com o emprego de um software para rastreamento foi a solução proposta pela Terso Solutions.

Com o processo anterior, o WVU costumava experimentar uma taxa de erro de 3% no rastreamento de produtos. Após a adoção da solução da Terso Solutions, a taxa caiu rapidamente para menos de 1%.  Com o tempo, ficou tão baixa que o centro parou de monitorar o indicador.

Cuidados da saúde em tempo real

Os hospitais e postos de saúde enfrentam muitos desafios para levantamento do estoque.  O custo envolvido nos cuidados que precisam tomar, os danos que poderiam ser evitados e o desperdício de tempo são questões que afligem os gestores da área da saúde.

Em uma época em que o tempo é fundamental para a segurança do paciente, a qualidade do atendimento e a eficiência operacional, muitos prestadores de serviços de saúde desperdiçam quantidades preciosas de tempo e recursos para localizar pacientes, profissionais da saúde e equipamentos críticos, tais como monitores cardíacos e desfibriladores. Embora existam muitas soluções potenciais para esses desafios, a implantação de um sistema de saúde em tempo real (RTHS) traz benefícios consideráveis. O RTHS mexe com o modelo clássico de prestação de serviços médicos, usando informações e comunicação em tempo real. Em um RTHS, as questões tidas como críticas giram em torno da compreensão da situação do paciente e do conhecimento da localização de pessoas (pacientes, médicos, enfermeiros, etc.) e recursos (dispositivos médicos, cadeiras de rodas, monitores cardíacos). Ter acesso a essas informações em tempo real é fundamental e melhora os processos em geral e a prestação dos cuidados médicos, em particular.

Tecidos e órgãos humanos – um caso crítico

Quando o desafio é desenvolver um sistema de rastreamento de itens desde a origem até o descarte final, não se poderia encontrar uma cadeia mais complexa do que a de tecidos e órgãos humanos. Como a tecnologia RFID pode ser aplicada neste ambiente exigente?

Reconhecendo as características peculiares dessa cadeia de suprimentos, os agentes de fiscalização vêm definindo normas e/ou recomendações que cobrem desde a elegibilidade do doador até os protocolos de inspeção. Os insumos sob atenção incluem pele, olhos, tecidos musculoesqueléticos, óvulos e espermatozóides, veias, células-tronco do sangue e membranas, entre outros.

A indústria está explorando uma variedade de métodos para atender aos padrões requeridos de rastreamento. Uma delas, a Identificação por Radiofreqüência (RFID), oferece certos benefícios e vantagens exclusivas sobre outros métodos. Entre as vantagens, destacam-se: pronta aplicabilidade, eficiência na obtenção da precisão requerida em toda a cadeia de suprimentos, mão-de-obra mínima associada e menor probabilidade de erro humano. No entanto, a aplicação de RFID neste caso específico requer cuidados redobrados.

O principal elemento de RFID é o chip ou a etiqueta. Geralmente, trata-se apenas de um pequeno dispositivo de leitura que pode transmitir as informações nele armazenadas, sem uma fonte de alimentação interna.

O segundo elemento do sistema é o leitor de RFID. Quando uma etiqueta de RFID está dentro do alcance do leitor, o seu circuito é ativado pela energia do sinal do leitor. A etiqueta responde transmitindo para o leitor os dados que tem armazenados.

Os chips de RFID estão disponíveis em uma variedade de formatos de leitura. Alguns contam com largura de banda estreita que pode oferecer uma medida de segurança contra acesso não autorizado. Isso pode ser uma consideração importante se a etiqueta tiver que transportar informações confidenciais. Neste caso, as tecnologias de criptografia podem oferecer proteção contra acesso não autorizado. Alternativamente, a etiqueta pode conter somente o número de identificação e ter qualquer informação adicional armazenada em um banco de dados seguro, acessível por usuários autorizados através da web ou de outra rede.

O elemento final necessário em uma solução de rastreamento de insumos cirúrgicos sensíveis é o gabinete de RFID. Esse é o local onde o produto ou material etiquetado é armazenado até a retirada para o uso. Os leitores internos do gabinete registram um produto etiquetado quando ele entra ou sai. O acesso ao gabinete pode ser restrito ao pessoal autorizado. A pessoa que acessa o gabinete e o evento envolvendo a etiqueta são documentados pelo sistema. Se houver necessidade de um ambiente de armazenamento especial, por exemplo, com controle de temperatura ou umidade, o gabinete pode ser projetado para manter essas condições.

Como a tecnologia RFID seria empregada com tecidos e órgãos humanos?

Um banco de tecidos e órgãos recebe um pedido de envio de dez porções para um hospital que conta com um gabinete de RFID. O banco retira os itens solicitados do seu estoque e anexa uma etiqueta de RFID em cada um dos dez pacotes. Além da etiqueta, o banco fornece a cada pacote um rótulo de código de barras contendo informações sobre o produto: número do lote, identificação exclusiva, data de validade, bem como quaisquer outros dados relevantes necessários para atender aos requisitos legais de manuseio de tecidos e órgãos. Todas as informações críticas são então carregadas para um banco de dados seguro controlado pelo provedor do sistema.

Ao percorrerem outros elos da cadeia de suprimentos, os itens etiquetados são registrados pelos sistemas locais de controle e rastreamento. Os eventos são encaminhados para um banco de dados que gera relatórios de status para os usuários autorizados. Após os dados serem inseridos no sistema, os passos seguintes do processo podem ser totalmente monitorados e registrados automaticamente.

Após a chegada no destino, as etiquetas são registradas no momento em que os pacotes são armazenados no gabinete de RFID. O gabinete refaz o balanço do seu estoque, incluindo as novas peças no conjunto já disponível, enviando as informações atualizadas para o banco de dados. O sistema registra que o gabinete recebeu dez novas porções de tecidos e órgãos, mencionando os números de identificação constantes nas etiquetas e todos os dados a eles associados. Quando uma porção é retirada para uso, o gabinete refaz o seu estoque e a saída é registrada no banco de dados. Se existe um leitor de RFID na sala de cirurgia, a porção retirada para uso será novamente registrada, ao passar pelo leitor.

Conclusão

A ação humana de inventário é demorada e propensa a erros. O sistema de RFID pode executar essa atividade, além de outras, automaticamente, em tempo quase real, através de registros instantâneos. Quando suportado com as redundâncias adequadas, pode fornecer um arquivo quase perfeito.

A captura de dados em tempo quase real propicia uma série de benefícios:

  • apresenta uma prestação de contas por meio do rastreamento de cada transação;
  • reduz a necessidade de realização de inventários físicos;
  • minimiza a necessidade de estoque, ao mesmo tempo que assegura a disponibilidade do produto;
  • reduz a existência de produtos fora da validade.

O gabinete também pode conter sensores que realizam o monitoramento contínuo da temperatura. Se, por algum motivo, a temperatura excede um dado limite estabelecido, o sistema pode ser programado para enviar um alarme ou mensagem de notificação.

Além de fornecer maior controle de estoque, a solução de RFID restringe a entrada de tecidos não autorizados na cadeia de suprimentos. O uso do sistema, portanto, reduz a probabilidade de emprego de tecidos e órgãos provenientes de bancos não autenticados.

Glossário

RFID (Identificação por Radiofrequência) é uma tecnologia que utiliza campos eletromagnéticos de radiofrequência para transferir informações de uma etiqueta para um leitor de RFID, para fins de identificação e localização de um dado item (pessoa, objeto, planta, animal). Algumas etiquetas têm sua própria fonte de alimentação. Outras não requerem bateria. Derivam energia do campo eletromagnético gerado a partir do leitor. As etiquetas de RFID também podem ser utilizadas como sensor (RFID as a sensor), fornecendo dados e informações sobre as condições do item identificado.

RFID é parte do conjunto de tecnologias conhecidas como AIDC – Automatic  Identification and Data Capture e é um meio rápido e confiável de identificar um dado objeto.

Ler também:

RFID: um caso de uso em mineração

RFID e alguns de seus vários casos de uso

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