RFID no futuro: manufatura 4.0

0
442

Um dos problemas da manufatura dos dias atuais é a falta de comunicação entre as partes. A tomada de decisão é feita de modo centralizado e realizada por pessoas, o que aumenta o erro e retira a agilidade dos processos. A manufatura 4.0 promete transformar esse estado de coisas, permitindo o compartilhamento das informações em tempo real, entre humanos e sistemas virtuais. Estes sistemas irão realizar tarefas de forma autônoma, avaliando as ocorrências e reajustando a produção conforme as necessidades.

Há um trabalho fenomenal a ser feito até se atingir essa nova realidade. O desenvolvimento de sistemas inteligentes com capacidade para diagnóstico e comunicação em tempo real requer a adoção de padrões universais, ajustáveis a uma quantidade muito variada de casos e aplicações.

Os ambientes industriais suportados pela tecnologia da informação, especialmente aqueles que trabalham em cenário de big data, precisam coletar informações de modo automatizado e sincronizar o que foi planejado com o que está ocorrendo no chão de fábrica. Quanto mais informações estiverem disponíveis na nuvem, maior será a necessidade de sincronia com o que acontece nas fábricas. Através da sua capacidade de rastreamento, RFID pode contribuir para esse ajuste, por um lado, coletando dados suficientemente detalhados para realizar previsões. Por outro, garantindo que a realidade se adeque às previsões feitas.

Na manufatura, monitorar suprimentos, equipamentos, estoques e a movimentação de produtos acabados é parte importante do processo de garantia da eficiência. Em um ambiente complexo de produção em que existem milhares de itens, peças e componentes é necessário garantir que não vai faltar nenhum deles no estoque e, consequentemente, não haverá necessidade de paralisar ou reduzir o ritmo de trabalho por falta de insumos. Para isso, cada área precisa ser reabastecida quando a quantidade do estoque atinge um dado limite mínimo. À medida que as etiquetas de RFID são lidas e as especificações de usinagem se alteram, as máquinas são ajustadas automaticamente para atender às novas exigências, requerendo insumos diferentes ou quantidades distintas de insumos.

A possibilidade de RFID contribuir com as mudanças necessárias e cada vez mais rápidas no processo de produção só é possível porque houve uma evolução na forma de arranjar os leitores de RFID. Inicialmente, o leitor único de RFID encontrava-se conectado a um sistema local. Em um segundo momento, leitores fixos e móveis disponíveis em uma mesma área começaram a compartilhar a mesma rede, falando a mesma linguagem e coletando dados em conjunto. Agora, no cenário nascente de leitores de RFID que se comunicam entre si através da Internet (‘IoRFID’), a filtragem e a análise do conjunto de dados provenientes desses leitores pode agregar um valor tremendo para a manufatura.

Redes constituídas por leitores fixos e portáteis controlados remotamente podem fornecer uma quantidade grande de dados por meio de serviços baseados na nuvem, contribuindo para aumentar a eficiência, acrescentar agilidade ou prever necessidades futuras. Observa-se, portanto, também, uma tendência de evolução no modelo de negócios de RFID. O que até então tem sido uma solução adquirida pelo cliente passa a se tornar um serviço ofertado para o cliente, ou seja, surge o RFID as a service (RaaS).

Algumas empresas, de fato, já começaram a utilizar as capacidades de rastreamento de RFID para fornecer serviços de alto valor. Por exemplo, uma empresa europeia de aluguel de uniformes oferece um serviço para avaliar, com apoio da tecnologia RFID, se os funcionários que utilizam aqueles uniformes executam as suas atividades de modo apropriado.

Grande parte dos dados utilizados nas análises vem de informações obtidas através das etiquetas anexadas aos componentes ou produtos. Mas também podem ser obtidas de sensores, quando as etiquetas passam a funcionar como tal (RFID as a sensor). Os sensores são empregados em muitas indústrias diferentes para medir parâmetros diversos, incluindo movimento, temperatura e umidade. Fontes de dados complementares podem ser utilizadas para apoiar as análises avançadas provenientes das redes de leitores.

Glossário:

RFID (Identificação por Radiofrequência) é uma tecnologia que utiliza campos eletromagnéticos de radiofrequência para transferir informações de uma etiqueta para um leitor de RFID, para fins de identificação e localização de um dado item (pessoa, objeto, planta, animal). Algumas etiquetas têm sua própria fonte de alimentação. Outras não requerem bateria. Derivam energia do campo eletromagnético gerado a partir do leitor. As etiquetas de RFID também podem ser utilizadas como sensor (RFID as a sensor), fornecendo dados e informações sobre as condições do item identificado.

RFID é parte do conjunto de tecnologias conhecidas como AIDC – Automatic  Identification and Data Capture e é um meio rápido e confiável de identificar um dado objeto.

Fonte: Kirsikka Dräger – RFID: greasing the wheels of Industrie 4.0

Ler também:

Evolução no uso de RFID no varejo: da gestão de estoque às compras personalizadas

RFID no futuro: biohacking como um caso de uso

- Publicidade -
Innovation Hunter

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.