RFID no futuro: biohacking como um caso de uso

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“Vivemos em um momento em que, graças à tecnologia, podemos fazer o surdo ouvir, o cego enxergar e o coxo andar normalmente. Vivemos na era dos cyborgs“.  Essa é a opinião de Hannes Sjoblad, cofundador da rede de biohackers, Bionyfiken, sediada na Suécia, que reúne biólogos, hackers, fabricantes de equipamentos, profissionais da saúde e amantes da boa forma física, interessados em explorar o tema da integração homem-máquina.

Embora a biohacking possa trazer consequências prejudiciais, também pode ser utilizada para melhorar a qualidade de vida das pessoas de diversas maneiras. O campo em que provavelmente a biohacking terá um impacto mais positivo é na área da saúde. Além de marcapassos e monitores de insulina, várias novas tecnologias estão sendo desenvolvidas com o objetivo de melhorar a saúde e simplificar o acesso à informação sobre o corpo.

De fato, atualmente, monitorar a saúde é o argumento principal para incorporar tecnologia ao corpo humano. O conceito do ´eu quantificado` apoia-se justamente na ideia de que quanto mais o homem se conhece, graças aos sensores, mais poderá cuidar adequadamente e em tempo hábil do seu bem-estar físico.

Sensores vestíveis, por exemplo, têm ganho atenção nas discussões tecnológicas recentes. Podem ser utilizados nos pulsos ou em outras partes do corpo, monitorando o nível de atividade, o batimento cardíaco e outros sinais vitais. No entanto, os vestíveis têm alguns pontos fracos: são facilmente esquecidos, muitas vezes falta-lhes precisão e podem medir alguns sinais vitais, mas não todos. Roupas íntimas poderiam ser uma solução adequada para um vestível, já que reduziriam as chances de serem esquecidas pelo usuário, ao sair de casa, pela manhã.

Mas, sem dúvida, a garantia do uso seria ainda maior com os implantáveis e as pílulas inteligentes. Essas pílulas, após ingeridas, passeiam pelo corpo humano coletando dados e transmitindo-os através de sistema sem fio para os profissionais da saúde, contribuindo para a otimização das doses de medicação e para o estabelecimento de tratamentos personalizados. Um exemplo, são as câmeras de vídeo minúsculas, em formato de comprimidos, que coletam e transmitam imagens do trato digestivo, evitando a necessidade de procedimentos como colonoscopias e endoscopias.

Segurança é outra área em que a biohacking pode trazer resultados benéficos. Sjoblad forneceu um exemplo relacionado com o uso de armas de fogo: ao entrar em uma residência para furtar, um intruso não poderia disparar a arma encontrada no local, porque a autorização para disparo teria sido associada com a impressão digital do dono, tornando-se uma extensão do seu próprio corpo.

A biohacking também pode simplificar tarefas diárias. Para mostrar isso, Sjoblad implantou na mão um chip do tamanho de um grão de arroz que trabalha com tecnologias RFID e NFC (Near Field Communication). O componente armazena dados e informações das coisas que costumava levar no bolso: cartão de crédito e de identidade, cartões-chaves, cartões de visita e cartões de fidelidade. Agora, para realizar pagamentos ou abrir a porta do escritório, o único que precisa fazer é acenar com a mão diante de um leitor.

Sjoblad não é o primeiro e o único que implantou um chip de RFID. Na realidade, nem a tecnologia e nem o procedimento são inusitados. Os veterinários têm feito implantes de chips em animais de estimação e no gado bovino há duas décadas. Implantes de chips de RFID em humanos datam do início dos anos 2000.

Hoje, é provável que a maioria das pessoas ainda resista à ideia de implantar um chip no corpo. A invasão física e as chances para que algo dê errado ultrapassam a relação custo-benefício de adoção da tecnologia. Mas o humano cyborg deverá surgir em breve, quando a proposta de valor for maior.

Um dos fatores que trabalham para agregar valor aos implantes tem a ver com o número crescente de dispositivos que poderão ser controlados pelo chip. Os novos casos de uso de implantes de chip de RFID possivelmente acontecerão no cenário da Internet das Coisas: usar as mãos com chip implantado para abrir portas, dar partida em carros e pagar pelo café. Seria possível, também, manter informações de contato no chip, transferindo estas informações para terceiros com um simples aperto de mão.

Vale lembrar que, com o processo de miniaturização dos chips, os implantes devem se tornar cada vez menos invasivos, o que certamente também irá afetar a relação custo-benefício, favorecendo o uso da tecnologia. Existe, de fato, motivos de sobra para acreditar que a miniaturização não irá finalizar com um chip do tamanho de um grão de arroz. Mais certezas que o cyborg vai vingar? Recentemente, a Google noticiou o seu projeto de uso de nanopartícula magnética para detecção de câncer. Antes disso, já havia se pronunciado a respeito de lentes de contado para medir glicose em diabéticos.

É de se esperar, portanto, que as aplicações de biohacking proliferem nos próximos anos. Com elas, virá uma série de questões éticas relevantes. Tipo assim: é sábio manipular a natureza humana? Quem decide até onde se pode ir com essa manipulação?

Glossário:

A expressão biohackers faz referência à aplicação da ética dos hackers aos sistemas biológicos. Alguns biohackers fazem experimentos no próprio corpo, com o propósito de expandir as experiências e possibilidades corporais além do planejado pela natureza. Sistemas inteligentes de monitorização da insulina, marcapassos, olhos biônicos e implantes estariam entre os exemplos de biohacking.

RFID (Identificação por Radiofrequência) é uma tecnologia que utiliza campos eletromagnéticos de radiofrequência para transferir informações de uma etiqueta para um leitor de RFID, para fins de identificação e localização de um dado item (pessoa, objeto, planta, animal). Algumas etiquetas têm sua própria fonte de alimentação. Outras não requerem bateria. Derivam energia do campo eletromagnético gerado a partir do leitor. As etiquetas de RFID também podem ser utilizadas como sensor (RFID as a sensor), fornecendo dados e informações sobre as condições do item identificado.

RFID é parte do conjunto de tecnologias conhecidas como AIDC – Automatic  Identification and Data Capture e é um meio rápido e confiável de identificar um dado objeto.

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Virgínia Duarte
Socióloga e cientista política, com especialização em gestão empresarial. Foi responsável pela área de Inteligência da Softex. Responsável técnica e coautora de várias publicações sobre o setor de TIC. É sócia-diretora da TIC em Foco Estudos e Projetos e editora do site/blog TIC em Foco.

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