Países de destino das exportações brasileiras de software e serviços de TI

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Em 2015, o Brasil exportou US$ 1,4 bilhão em software e serviços de TI (Tabela 1). Duas categorias da Nomenclatura Brasileira de Serviços e Intangíveis (NBS) dominam a pauta das exportações brasileiras de software e serviços de TI: ‘serviços de consultoria, de segurança e de suporte em TI` (30,5% do total de valores exportados) e ‘serviços de projeto e desenvolvimento de aplicativos e programas em TI` (33,9%), incluindo, neste caso, software personalizado e não personalizado e serviços de integração. A pauta de saída (exportações brasileiras) privilegia a subcategoria ´serviços de projeto, desenvolvimento, adaptação e instalação de aplicativos personalizados` (US$ 489,9 milhões), com forte concentração das exportações na subcategoria serviços de projeto, desenvolvimento, adaptação e instalação de aplicativos personalizados (US$ 331,7 milhões).

Tabela 1 – Exportações de software e serviços de TI – Brasil, 2015

Principais países compradores de software e serviços de TI brasileiros

Na Tabela 2, apresentam-se os dez principais países de destino das exportações brasileiras de software e serviços de TI, em 2015. Esses países compradores responderam por receita em torno de US$ 1,0 bilhão, 70,6% do total das vendas, no ano de interesse. Retirada as compras dos Estados Unidos (US$ 675,3 milhões; 46,8% do total), principal responsável pelas vendas brasileiras, a receita obtida com os nove demais destinos relevantes variou entre US$ 95,4 milhões (Holanda) a US$ 21,5 milhões (Suécia).

Tabela 2 – Receita obtida com exportações brasileiras de software e serviços de TI, considerando dez principais países de destino – 2015

As suas compras dos Estados Unidos estão distribuídas principalmente por quatro subcategorias de serviços: projeto e desenvolvimento de software personalizado (22,8%), processamento de dados (19,8%), consultoria em TI (16,1%) e suporte em TI (11,2%) (Tabela 3).

Holanda, Índia e Reino Unido são compradores relativamente importantes de software personalizado, com 74,1%, 87,2% e 73,1% do total dos seus gastos respectivos com serviços de TI brasileiros tendo a ver com esta rubrica. Holanda também se destacou, em 2015, como adquirente de software não personalizado (13,9% do total de compras), Reino Unido com suporte (8,7%) e consultoria em TI (8,3%) e Índia com consultoria em TI (10,2%).

Os países latino-americanos, representados no grupo top 10 por Chile, Colômbia e México, destacaram-se pelas compras de serviços de suporte em TI (56,4%, 30,4% e 29,7% do total de seus gastos, respectivamente). Serviços de desenvolvimento e outros serviços de TI têm alguma participação relevante na pauta de compras do Chile (14,5% e 12,3%, respectivamente). Consultoria e software personalizado encontram-se em segunda e terceira posição na lista de compras da Colômbia e do México.

A Suécia também se destacou como compradora de serviços de suporte, atingindo, em 2015, 92,1% do total das suas compras de software e serviços de TI do Brasil. Alemanha e Canadá chamam a atenção pela pauta concentrada em consultoria (41,0% e 45,4%, respectivamente) e suporte (31,0% e 44,4%).

Tabela 3 – Distribuição dos gastos principais com a compra de software e serviços de TI brasileiros, considerando os dez principais países compradores – 2015

Outros compradores de software e serviços de TI brasileiros

As vendas brasileiras de software e serviços de TI para cerca de outros quarenta países em 2015 envolve transações com valores bem inferiores aos registrados para os países compradores top, totalizando US$ 112,1 milhões em exportações (7,7% do total exportado). A receita obtida com cada país de destino esteve entre US$ 14,1 milhões (Peru) e US$ 44,8 mil (Finlândia), máximo e mínimo, respectivamente (Tabela 4).

Tabela 4 – Receita obtida com exportações brasileiras de software e serviços de TI para países posicionados do 11º ao 44º lugar, considerando o valor em compras – 2015

No conjunto, predominam as exportações de serviços de consultoria em TI (35,5% do total em compras) e suporte em TI (22,6%), embora também sejam relevantes as vendas de software personalizado (18,1%). Da mesma forma que ocorre no grupo de compradores top (ver pauta de compras do Chile, Colômbia e México, na Tabela 4), também no conjunto constituído por este segundo grupo, observa-se diferença na composição das exportações brasileiras para os países europeus e para os países da América Latina e Caribe. Para aqueles países, predominam as exportações de serviços de consultoria em TI e de projetos e desenvolvimento de software personalizado (35,7% e 35,2% do total de compras do subgrupo europeu, respectivamente), enquanto, para estes, as exportações de serviços de suporte em TI (41,9% do total) (Tabela 5).

Como explicar essas diferenças? Uma hipótese seria que, para os países europeus, o Brasil não conseguiu criar ainda um fluxo de ganhos recorrentes com suporte e manutenção resultante da comercialização prévia de software. Para a América Latina e Caribe, ao contrário, o Brasil foi bem-sucedido em estabelecer este fluxo.

Outra possível explicação tem a ver com o grau de informatização e sofisticação e com a maturidade dos diferentes mercados, fatores que condicionam a pauta de demandas locais por TI. A região da América Latina e do Caribe poderia estar ainda muito direcionada para um conjunto inicial de software de infraestrutura e middleware e para a aquisição de aplicativos horizontais de gestão empresarial do tipo ERP. Os mercados para estes tipos de software são dominados por soluções estrangeiras de grandes fornecedores, deixando, por um lado, pouco espaço para empresas de nicho, com soluções verticais, mas, por outro, abrindo oportunidades para empresas prestadoras de serviços de suporte e manutenção daquelas soluções.

Tabela 5 – Distribuição dos gastos principais com a compra de software e serviços de TI brasileiros, considerando localização de países posicionados do 11º ao 44º lugar no valor em compras – 2015

Notas metodológicas

São apresentados dados dos dois módulos do SISCOSERV: Venda e Aquisição. Os dados extraídos do módulo Venda correspondem às vendas feitas por residentes ou domiciliados no Brasil a residentes ou domiciliados no exterior, ou seja, às exportações. De forma análoga, os dados extraídos do módulo Aquisição correspondem às aquisições feitas por residentes ou domiciliados no Brasil de residentes ou domiciliados no exterior, ou seja, às importações.

Para que o sigilo fiscal e comercial dos declarantes seja preservado os dados são divulgados apenas quando os resultados incluem mais de três residentes ou domiciliados no Brasil.

Glossário

BCB – Banco Central do Brasil

MDIC – Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio

NBS – Nomenclatura Brasileira de Serviços e Intangíveis

SCS – Secretaria de Comércio de Serviços

Siscoserv – Sistema de Comércio de Serviços

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Virgínia Duarte
Socióloga e cientista política, com especialização em gestão empresarial. Foi responsável pela área de Inteligência da Softex. Responsável técnica e coautora de várias publicações sobre o setor de TIC. É sócia-diretora da TIC em Foco Estudos e Projetos e editora do site/blog TIC em Foco.

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