Mais startups de tecnologia no agronegócio?

0
631

Em dezembro de 2016, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em parceria com o AgTech Garage, finalizou o 1° Censo AgTech Startups. O levantamento teve por objetivo fazer um mapeamento do setor de tecnologia para o agronegócio no país.

A pesquisa permaneceu online por quatro meses e foi respondida por 75 empresas. Do total, 26% surgiram em 2014, 30% em 2015 e 24% em 2016. Para o gerente executivo da incubadora EsalqTec, Sergio Marcus Barbosa, “2016 foi um ano espetacular para as startups do agro” (Portal DBO). E foi mesmo. Trata-se de uma grande quantidade de empresas, considerando a estimativa do TIC em Foco de que devem existir algo em torno de outras 300 empresas com soluções em TI voltadas para o segmento agropecuário.

As novas empresas estão concentradas em permitir que o produtor obtenha ganhos de produtividade, produzindo mais com menos terra e água. Também levam em conta a proteção ambiental e a segurança alimentar, buscando reduzir a emissão de poluentes e o uso de agrotóxicos.

De acordo com o Censo AgTech Startups, 16% dos respondentes trabalham com proteção de cultivos, 12% com segurança alimentar e rastreabilidade e 10,7% com irrigação e tecnologias ligadas ao consumo de água. No segmento da pecuária, corte ou leite, muitas das soluções desenvolvidas buscam estreitar os laços da cadeia produtiva, superando o desafio de comunicação entre os pecuaristas e a indústria.

Após o boom recente de surgimento de startups de tecnologia para o agronegócio, é provável que ocorra agora um processo de consolidação, com as novas empresas com tecnologias economicamente viáveis firmando-se no mercado.  A taxa de mortalidade costuma ser alta entre startups (segundo estudo da aceleradora Startup Farm, 74% das startups brasileiras não completam cinco anos de existência). A capacidade de sobreviver tem que ver com aspectos tecnológicos, mas depende, também, em grande medida, das parcerias estabelecidas com empresas complementares, do modelo implementado de negócios e de uma compreensão aguçada das necessidades do cliente. O design da experiência do cliente torna-se, de fato, cada vez mais relevante como fator de sobrevivência.

Segmento de tecnologia para agronegócio traz desafios

Talvez o principal desafio que as empresas de tecnologia para o agronegócio enfrentam, tanto no Brasil como em outros países, diz respeito ao perfil da demanda. Comparativamente a outros setores econômicos, o produtor rural tem se mostrado lento na incorporação das tecnologias de informação e comunicação (TIC). Um dos motivos são as restrições maiores de acesso à infraestrutura de telecomunicações. No entanto, fatores culturais e a própria natureza do processo produtivo, menos sujeita às regularidades típicas de um ambiente fabril, parecem dificultar, também, a percepção do valor que pode ser agregado com o uso das TIC.

As recém-entrantes têm conseguido superar uma primeira fase do processo de adoção das TIC no ambiente rural, obtendo sucesso rápido junto a um conjunto mais arrojado de usuários dispostos a testar soluções, especialmente quando os testes não impõem custos. Há relatos de que existem produtores rurais que chegam, inclusive, a provar várias opções simultaneamente. Mas esse movimento inicial exitoso não vem proporcionando ganhos rápidos de escala, pois ainda são poucos os clientes motivados a pagar pelas soluções.

Existem medidas que podem ajudar os novos empreendedores a superar o gap entre o sucesso obtido na fase de testes e a conquista efetiva de uma quantidade maior e fiel de usuários. Entre elas, destacam-se:

-Monstrar a viabilidade econômica da solução.

-Provar a eficácia da solução por meio científico, contratando estudos independentes.

-Estabelecer contato direto com o produtor rural. A eliminação de intermediários tende a reduzir falhas na comunicação e ampliar o conhecimento das necessidades do usuário.

-Considerar a possibilidade de adoção de modelo de negócios baseado em serviços. A alternativa de entrega da solução como serviço diminui o investimento inicial do cliente, dispensando a necessidade de compra do produto e/ou a aquisição das tradicionais licenças de uso. Além disso, reduz a necessidade de capacitação do pessoal interno para o uso.

- Publicidade -
Innovation Hunter
COMPARTILHAR
Virgínia Duarte
Socióloga e cientista política, com especialização em gestão empresarial. Foi responsável pela área de Inteligência da Softex. Responsável técnica e coautora de várias publicações sobre o setor de TIC. É sócia-diretora da TIC em Foco Estudos e Projetos e editora do site/blog TIC em Foco.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.