Investimentos em inovação estáveis, mas ainda em patamares baixos

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TIC em Foco, a partir da Agência Brasil – por Nielmar de Oliveira

As 132.529 mil empresas brasileiras com 10 ou mais pessoas ocupadas de setores investigados pela Pesquisa de Inovação (Pintec) gastaram, em 2014, R$ 81,5 bilhões em atividades inovadoras, o que corresponde a 2,5% da receita líquida total em vendas destas empresas, no ano em questão. Para a indústria, a relação foi de 2,1%, o menor patamar histórico já registrado desde o início da pesquisa Pintec, no ano 2000.

Além dos setores da indústria extrativa e de transformação, a Pintec do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) levanta informações sobre a inovação de empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas dos setores de eletricidade e gás; edição e gravação e edição de música; telecomunicações; serviços de arquitetura e engenharia, testes e análises técnicas; pesquisa e desenvolvimento científico; e atividades de informática, o que inclui desenvolvimento e licenciamento de software e prestação de serviços diversos de TI, abrangendo desenvolvimento de software sob encomenda, consultoria e suporte técnico, tratamento de dados e serviços de informação na Internet.

Segundo o IBGE, os investimentos em atividades de inovação no período de 2012 a 2014 só não foram menores porque 40% das empresas inovadoras receberam algum tipo de apoio do governo para inovação. A proporção de empresas beneficiadas com apoio governamental é superior àquela verificada para a edição anterior da pesquisa, referente ao período 2009 a 2011, em que 34,2% do total obtiveram algum tipo de suporte. Entre as empresas industriais, 17,3 mil receberam algum incentivo público para desenvolver suas inovações de produto ou processo, número 20,8% maior do que o verificado no intervalo anterior: 2009-2011.

Segundo dados da Pintec 2014, do total de empresas investigadas, 36% (o equivalente a 47.693) fizeram algum tipo de inovação em produto ou processo. O resultado é próximo ao do triênio anterior: 35,7%.

Mesmo apresentando uma certa estabilidade entre os dois períodos (2009 a 2011 e 2012 a 2014), os investimentos em inovação no país ainda se encontram em patamares baixos, na avaliação do gerente da pesquisa do IBGE, Alessandro Pinheiro. Para ele, isto decorre de um conjunto de fatores: “Os gastos com inovação, em particular com P&D [pesquisa e desenvolvimento] estão sujeitos a um nível de incerteza bastante alto e exigem investimentos igualmente elevados. Então, quando se tem uma conjuntura desfavorável, as empresas se retraem”, afirmou.

A Pintec 2014 é enfática na constatação de que os principais obstáculos à inovação no país são de natureza econômica. Como nas demais edições da pesquisa, o custo elevado da inovação ocupou o primeiro posto como obstáculo à inovação na indústria (86%), seguido pelos riscos excessivos (82,1%) e pela escassez de fontes de financiamento (68,8%).

Diferenças entre os setores

Na indústria, o percentual do dispêndio em atividades inovadoras em relação à receita líquida de vendas caiu de 2,4% em 2011 para 2,1% em 2014, o menor patamar histórico já registrado em edições da Pintec. No setor de serviços, a situação é inversa. Em 2011, o setor investiu 5,0% do faturamento em atividades inovadoras. Em 2014, 7,8%. O acréscimo tem a ver com os serviços de telecomunicações, cuja relação de dispêndios com inovação e receita subiu de 3,7% em 2011 para 10,0% em 2014.

A indústria foi a que acusou maior retração neste período de crise, setor que vem encolhendo ao longo do tempo, perdendo participação no PIB (Produto Interno Bruto), e chegando a registrar taxas negativas de variação: em 2014, caiu 4,7% e isto se reflete nos indicadores em inovação, que é um investimento com um nível de incerteza ainda maior” justifica o pesquisador do IBGE.

Mesmo assim, entre 2011 e 2014, a variação das empresas que fizeram algum tipo de inovação em produtos ou processos no total da indústria passou de 35,6% para 36,4%. Já entre as empresas de eletricidade e gás o comportamento foi inverso: apenas 29,2% das empresas de eletricidade foram inovadoras em 2014, contra 44,1% em 2011. “Está queda decorreu dos problemas das tarifas represadas, o que acabou refletindo nos investimentos, houve uma certa acomodação: a situação do racionamento de energia prejudicou muito este setor”, disse o gerente da pesquisa.

Aquisição de máquinas e equipamentos: ação inovativa ainda muito valorizada pelas empresas industriais

Tomando como base a avaliação do grau de importância fornecido pelas empresas inovadoras para ações diversas de inovação, a aquisição de máquinas e equipamentos continua sendo apontada como a mais relevante pelas empresas industriais inovadoras, sendo mencionada como de importância alta ou média por 73,8% delas. A aquisição de máquinas e equipamentos é, segundo o IBGE, a forma mais simples e comum de inovação, pois permite a empresa reduzir custos e obter ganhos de produtividade, o que pode ser caracterizado como inovação em processo.

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