Evolução no uso de RFID no varejo: da gestão de estoque às compras personalizadas

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Hoje em dia, parte importante das implementações de RFID (Identificação por Radiofrequência) tem como objetivo conhecer e gerir o estoque. Assim, um bom retorno sobre o investimento (ROI) realizado nessa tecnologia depende, em grande medida, da redução das perdas materiais que torna possível através de um controle eficiente de estoque, em fábricas, lojas, hospitais, escritórios, supermercados, etc.

Mas RFID, no futuro, fará bem mais que isso. Em um primeiro momento, deverá contribuir para o reconhecimento do perfil de consumidores, através do apoio a análises avançadas, em cenário de big data. Em um segundo momento, ajudará a tornar cada experiência de consumo única, inigualável e sem precedentes (Figura 1).

Figura 1 – Evolução da tecnologia RFID

RFID na gestão de estoque

Hoje, graças ao apoio de RFID é possível conhecer o que existe em estoque e cuidar para que não haja falta ou sobra de mercadoria. Os vendedores de uma rede de lojas, por exemplo, são capazes de visualizar na web cada item que existe no estoque central e no de cada unidade de venda. Esse conhecimento permite que se planejem para despachar uma dada mercadoria que sobra em um local, para um outro ponto de venda em que o estoque está baixo. Em sentido inverso, os vendedores também podem solicitar uma quantidade maior de itens que faltam na unidade, buscando-os no estoque central ou em outras unidades da rede em que há um número grande deles disponível.

RFID nas análises avançadas

Uma evolução nas possibilidades de uso de RFID seria contar com a tecnologia para apoio na análise de tendências de compra dos consumidores. Em cenário de big data, RFID poderia se combinar com fontes variadas de dados e informações. Na rede de lojas acima mencionada, o vendedor poderá, por exemplo, associar os dados de estoque com informações sobre previsões meteorológicas e vendas realizadas no mês anterior, ou no mesmo mês de anos anteriores, para avaliar se precisa ou não aumentar o seu estoque. Com essas informações disponíveis, pode decidir pelo envio de um certo item para outra unidade em que a probabilidade de venda seria maior ou pela solicitação de uma quantidade superior de mercadoria, com previsão de venda elevada.

RFID nas experiências de consumo personalizadas

Os avanços não param por aí. No futuro, pessoas e produtos serão reconhecidos e manuseados como seres únicos. Para criação desse mundo novo, diferentes tecnologias estão sendo cogitadas e combinadas entre si. RFID encontra-se entre elas, ajudando na associação dos dados de estoque com dados obtidos sobre compradores, o histórico de compras, probabilidades envolvidas em novas compras e o interesse demonstrado pelo consumidor por determinados produtos. Assim, por exemplo:

  • Através de algoritmos, os vendedores poderão entender como e por que os compradores chegam a um determinado ponto físico de venda.
  • Nos pontos de venda, a tecnologia iBeacon poderá ser utilizada para enviar informações aos dispositivos móveis das pessoas no recinto para saber do seu interesse por uma dada mercadoria.
  • Uma combinação de câmeras com leitores e etiquetas de RFID poderá ser empregada para conhecimento sobre a movimentação das pessoas e dos itens no local de compra.

Assim, por exemplo, uma pessoa que caminha em um dos pontos de venda de uma rede de lojas será rapidamente identificada pelo sistema iBeacon instalado. Com o levantamento em tempo real do seu histórico de compras e do estoque disponível de mercadorias, a loja poderá propor sugestões de produtos pelos quais a pessoa poderia se interessar, enviando mensagens para o seu celular. Leitores de RFID incorporados ao ambiente, lerão as etiquetas dos itens retirados pela pessoa da prateleira ou levados por ela para o provador, uma informação que ajudará a loja a saber mais sobre o interesse da pessoa e incluir uma nova série de sugestões de outros itens que poderiam se ajustar ao seu perfil e padrão de compras.

Glossário

RFID (Identificação por Radiofrequência) é uma tecnologia que utiliza campos eletromagnéticos de radiofrequência para transferir informações de uma etiqueta para um leitor de RFID, para fins de identificação e localização de um dado item (pessoa, objeto, planta, animal). Algumas etiquetas têm sua própria fonte de alimentação. Outras não requerem bateria. Derivam energia do campo eletromagnético gerado a partir do leitor. As etiquetas de RFID também podem ser utilizadas como sensor (RFID as a sensor), fornecendo dados e informações sobre as condições do item identificado.

RFID é parte do conjunto de tecnologias conhecidas como AIDC – Automatic  Identification and Data Capture e é um meio rápido e confiável de identificar um dado objeto.

Fonte: Jessica Säilä  – RFID 1-2-3: From Data to Knowledge

Ler também:

RFID no futuro: biohacking como um caso de uso

RFID no futuro: leitores suspensos monitoram toda a loja

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Virgínia Duarte
Socióloga e cientista política, com especialização em gestão empresarial. Foi responsável pela área de Inteligência da Softex. Responsável técnica e coautora de várias publicações sobre o setor de TIC. É sócia-diretora da TIC em Foco Estudos e Projetos e editora do site/blog TIC em Foco.

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