Escassez de talentos: a crise é global e transcende áreas específicas do conhecimento

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O advento das novas tecnologias está modificando radicalmente a demanda por recursos humanos, levando à destruição de empregos antigos e criando um conjunto novo de profissões que requerem um rol inusitado de competências com contornos ainda pouco definidos. Essa reorientação não totalmente clara das funções a serem desempenhadas pelos trabalhadores em um futuro que chega cada vez mais rapidamente está na origem da percepção generalizada de escassez de talentos. A sensação de escassez existe até mesmo em países em que a formação fornecida nas escolas é de excelente qualidade. A existência de vagas nas empresas e organizações convive com a existência de profissionais, especialmente jovens, que não conseguem ingressar e se manter no mercado de trabalho.

O problema diz respeito ao conteúdo a ser ministrado, mas não só. Remete-se, também, ao formato de entrega. As tecnologias estão mudando o jeito de vida e trabalho e a forma como as pessoas se relacionam com os conteúdos de aprendizagem.

 Pesquisa realizada pela Mc Kinsey, envolvendo nove países – Alemanha, Índia, México, Marrocos, Turquia, Arábia Saudita, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil – mostra um cenário de crise e indefinições e revela que o desafio da empregabilidade não se restringe à área de Computação e Informática e às fronteiras de um dado país. Ele é global.

Mundo afora, existe quantidade elevada de jovens desempregados e, simultaneamente, escassez de talentos, ou seja, de candidatos com as habilidades requeridas pelos empregadores. E o cenário tende a piorar. A Mc Kinsey estima que, até 2020, faltarão 85 milhões de trabalhadores com o perfil de competências desejado pelas empresas.

No cenário de crise, jovens, educadores e empregadores vivem em universos paralelos. Eles compreendem uma mesma situação de modo diferente e não conseguem interagir. O que mais a pesquisa mostra?

O ponto de vista dos jovens estudantes:

 Os jovens não veem interesse em ingressar em cursos de nível superior. Ignoram o que a educação formal pode trazer de benefício.

  • Eles não dispõem das informações para escolher entre as opções de cursos. As escolhas são feitas às cegas. Desconhecem as disciplinas a serem ministradas nos cursos e as carreiras com empregos disponíveis e bons salários.
  • 58% dos jovens acreditam que o aprendizado prático é um método efetivo para capacitação. Contudo, somente 24% dos graduados em cursos de nível superior e 37% dos graduados de cursos técnicos profissionalizantes afirmam ter gasto a maior parte do seu tempo nas escolas em atividades hands-on.

 Metade dos jovens desempregados acredita que a sua educação de nível pós-secundário não melhorou as suas chances de obter emprego.

  • O primeiro trabalho dos jovens não é na área da sua formação e eles querem mudar de ocupação e cargo rapidamente.
  • Poucos relatam experiências positivas no mercado de trabalho.
  • A obtenção de um bom trabalho é o principal motivo que leva os jovens a frequentar escola.

A perspectiva dos educadores:

  • Os educadores desconhecem as necessidades do mundo do trabalho.
  • Os currículos das escolas não priorizam técnicas instrucionais baseadas na capacitação no local do trabalho e no aprender fazendo, apesar de estas técnicas de ensino serem apontadas pelos jovens como as mais eficazes.
  • Capacitar jovens para conseguir um bom trabalho aparece em sexto lugar em uma lista de dez prioridades dos educadores.
  • 1/3 dos educadores não sabe estimar o percentual dos seus alunos graduados que conseguiram emprego após o final do curso. A estimativa de parte elevada dos que se julgaram capazes de realizá-la foram bem mais otimistas do que o tempo reportado pelos jovens para aquisição de emprego.
  • Os educadores não sabem como contribuir para melhorar o sistema atual de educação para o trabalho, nem tratam este assunto como parte da sua missão.

O olhar dos empregadores:

  • Os empregadores não mantêm comunicação eficaz e frequente com os educadores.
  • Somente 43% dos empregadores informam encontrar jovens recém-ingressos de cursos superiores ou de cursos técnico-profissionalizantes com o perfil requerido para o trabalho.
  • Comparados com os educadores, os empregadores têm melhor percepção da importância relativa das várias competências. No geral, tendem a dar mais ênfase para soft skills que os educadores. Ética no trabalho e trabalho em equipe são itens bem mais valorizados pelos empregadores que pelos educadores.
  • Existe divergência entre as opiniões dos empregadores e dos educadores sobre as habilidades que os jovens devem desenvolver na escola. As divergências ocorrem sobretudo no que se refere a questões envolvendo prática e teoria e a capacidade para solucionar problemas.
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Virgínia Duarte
Socióloga e cientista política, com especialização em gestão empresarial. Foi responsável pela área de Inteligência da Softex. Responsável técnica e coautora de várias publicações sobre o setor de TIC. É sócia-diretora da TIC em Foco Estudos e Projetos e editora do site/blog TIC em Foco.

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