Empresas do setor de TI vão mal das pernas

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Em 2016, crescimento do setor brasileiro de software e serviços de TI será inferior a 1,0%

No período 2007 a 2014, a média de crescimento real da receita bruta do setor brasileiro de software e serviços de TI foi de 7,3% ao ano. Nos últimos anos da série histórica, no entanto, os percentuais de crescimento estiveram sempre abaixo da média. Em relação ao ano anterior, o aumento da receita, em 2013, foi de 4,7%; em 2014, de 5,3% e, em 2015, nossa estimativa é que tenha sido de apenas 2,4%. O crescimento em 2016 deverá ser inferior ao observado em 2015, mantendo-se abaixo de 1,0% (Figura 1).

Figura 1 – Taxa de crescimento real da receita bruta do setor de software e serviços de TI – Brasil, período 2007 a 2016

A estimativa feita para 2016 tem como base os resultados de crescimento da receita observados para as empresas de software e serviços de TI com 20 ou mais pessoas ocupadas. A Tabela 1 mostra o crescimento real da receita bruta mensal desse conjunto de empresas do setor, no ano de interesse. Observa-se que, para a maioria dos meses em que há dados apurados, os acumulados no ano são inferiores aos verificados para os mesmos períodos, no ano anterior. O início de 2016 foi particularmente desfavorável, com algum crescimento positivo acontecendo a partir do mês de abril. Em julho de 2016, chega-se a um acumulado anual de -0,8%, muito inferior ao percentual verificado em julho de 2015: 6,0%.

Tabela 1 – Crescimento real da receita bruta mensal de empresas de software e serviços de TI com 20 ou mais pessoas ocupadas – Brasil, janeiro de 2014 a agosto de 2016

Até 2015, a queda da receita vinha atingindo apenas o conjunto de empresas de pequeno porte

As empresas de software e serviços de TI com até 19 pessoas ocupadas vêm apresentando crescimento negativo desde 2013 (-6,8%, em 2013 em relação a 2012 e -7,6%, em 2014 em relação ao ano anterior). Apesar da crise econômica, o conjunto formado por empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas estavam conseguindo manter a sua receita em bons patamares Em 2013, cresceram, em termos reais, 7,8% e, em 2014, 8,2%. O peso da crise começou a ser sentido apenas em 2015, quando o aumento da sua receita despencou para 4,5%.

Médias e grandes voltam a ampliar a sua participação no total da receita do setor

As empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas representam um percentual pequeno do total de empresas com atividade principal em software e serviços de TI: em 2015, apenas 4,1%, ou seja, cerca de três mil empresas de um total de 74 mil (Figura 2).

Figura 2 – Número de empresas com atividade principal em software e serviços de TI: participação das empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas no total – Brasil, período 2007 a 2015

Esse grupo seleto de empresas detém uma participação muito relevante da receita: 85,5%, em 2015, significando R$ 94,0 bilhões dos R$ 110,0 bilhões estimados. Essa participação das médias e grandes na receita, que vinha caindo ao longo dos anos, voltou a crescer em tempos recentes, com a dificuldade maior que as micro e pequenas vêm apresentando para gerar receita (Figura 3).

Figura 3 – Receita bruta das empresas com atividade principal em software e serviços de TI: participação das empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas no total – Brasil, período 2007 a 2015

Notas metodológicas:

O setor de software e serviços de TI inclui empresas com as seguintes atividades principais: desenvolvimento de software sob encomenda; desenvolvimento e licenciamento de software customizável; desenvolvimento e licenciamento de software não customizável; consultoria em TI; suporte técnico, manutenção e outros serviços de TI; tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e de hospedagem na Internet; portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na Internet.

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Virgínia Duarte
Socióloga e cientista política, com especialização em gestão empresarial. Foi responsável pela área de Inteligência da Softex. Responsável técnica e coautora de várias publicações sobre o setor de TIC. É sócia-diretora da TIC em Foco Estudos e Projetos e editora do site/blog TIC em Foco.

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