Dados pessoais: a nova moeda do mundo digital

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O processamento da infinidade de dados digitais que são gerados pelas pessoas durante a realização de atividades diárias, muitos dos quais elas não se dão conta, permitirá identificar padrões de comportamento com precisão e monitorá-los e influenciá-los. Os dados pessoais serão o novo petróleo da Internet e a nova moeda do mundo digital. Uma questão relevante diz respeito a quem terá o domínio desses dados, se ficarão sob o controle de empresas privadas, governos ou das pessoas que os geraram.

Ao contrário do que ocorre com pesquisas quantitativas e de opinião, a análise de big data revela não o que as pessoas pensam ou declaram, mas sim o que fazem. Isso aumenta exponencialmente a capacidade de prever comportamentos.  Essa previsão será útil em muitas áreas, mas acredito que duas sejam especialmente promissoras: saúde pública e planejamento urbano. Às vezes, mesmo pequenas mudanças no sistema de transporte público, implementadas após coleta de dados de informações do usuário de celulares, por exemplo, são capaz de melhorar a situação de caos no trânsito.

Apesar do imenso avanço propiciado pelas análises de big data, será necessário evoluir na questão sobre a privacidade dos dados pessoais. Deve existir uma preocupação sobre quem ficará responsável por cuidar desses dados e armazená-los e garantir que as pessoas tenham autonomia para decidir o que poderá ser feito com as informações coletadas a seu respeito. Para isso, será necessário promover uma reforma legal de grandes proporções capaz de fornecer aos cidadãos o direito de propriedade sobre os seus dados digitais. Dados como registros de transações financeiras e comunicações telefônicas ou pela Internet precisariam sair do domínio exclusivo de empresas privadas por um motivo simples: o setor privado visa ao lucro (o que é legítimo), e não ao bem comum.

Os governos tampouco deveriam ter domínio sobre os dados dos cidadãos. Como ativos individuais, esses dados poderiam ser distribuídos para empresas e governos no caso de o cidadão assim o desejar, mediante condições negociadas. A transformação dos dados pessoais em ativo individual, no entanto, não irá garantir a privacidade. Eles poderão ser identificados, já que deixam rastros digitais.  Mas seria possível criar mecanismos para assegurar o sigilo. É o que ocorre hoje, por exemplo, no sistema bancário. A maior parte dos gastos de uma pessoa é feita por meio eletrônico. Os bancos sabem exatamente onde e como os correntistas gastam o seu dinheiro, quanto investem e para quem transferem recursos. O sigilo dessas operações é garantido por contrato.

 

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Virgínia Duarte
Socióloga e cientista política, com especialização em gestão empresarial. Foi responsável pela área de Inteligência da Softex. Responsável técnica e coautora de várias publicações sobre o setor de TIC. É sócia-diretora da TIC em Foco Estudos e Projetos e editora do site/blog TIC em Foco.

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