Comércio externo brasileiro de software e serviços de TI

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Em 2015, as exportações brasileiras de bens e serviços atingiram US$ 223,1 bilhões de dólares, uma redução de 15,2% em relação aos valores registrados em 2014 (dados do BCB, apud in DECIN/SCS/MDIC). As exportações de bens sofreram queda de 15,2% e as de serviços 15,5%, totalizando perda de US$ 33 bilhões no ano em questão (Tabela 1).

As importações brasileiras de bens e serviços (US$ 241,3 bilhões, em 2015) também registraram queda no ano: significativos 23,8% em comparação com 2014. As importações de bens recrudesceram 25,3% e as de serviços 19,8%, uma redução de US$ 68,9 bilhões em 2015.

Em resumo, no que se refere ao comércio brasileiro de serviços:

  1. Eles representam uma parte pequena, mas crescente, do comércio externo do país.

  1. Os valores exportados têm sido inferiores aos importados, o que amplia o déficit na conta serviços ao longo dos anos.
  1. Em 2015, observa-se um movimento contrário ao que vinha ocorrendo no período recente. Os valores com exportações e importações de serviços caíram, com estas sofrendo queda maior que aquelas (-19,8% e -15,5%, respectivamente).

  1. Apesar da melhoria, o saldo da balança comercial de serviços continuou negativo, em 2015 (US$ -35,9 bilhões).

Tabela 1 – Composição do comércio exterior de bens e serviços – Brasil, 2014 e 2015

A seguir, apresentam-se os dados da balança comercial brasileira do segmento de software e serviços de TI para os anos de 2014 e 2015. Observa-se que, considerando os anos em questão, o segmento apresentou o mesmo comportamento que o setor de serviços como um todo. Ou seja:

  • em relação a 2014, em 2015 houve queda nas exportações e importações;

  • ocorreu melhora no saldo da balança comercial de software e serviços de TI que estava e continuou negativa em 2015.

Comércio externo brasileiro de software e serviços de TI

Exportações brasileiras de software e serviços de TI

Na Tabela 2, apresentam-se dados de exportações brasileiras de software e serviços de TI em 2014 e 2015. Observa-se que houve redução de quase 9% nas receitas com exportações, que foram da ordem de US$ 1,6 bilhão em 2014 e encolheram para US$ 1,4 bilhão, em 2015.

Nem todas as atividades de software e serviços de TI foram igualmente prejudicadas. O segmento mais afetado foi o de consultoria, com queda de 48,7% nas exportações (de US$ 461,1 milhões em 2014 para US$ 236,5 milhões, em 2015). As atividades de consultoria são uma das fontes principais de receita das empresas brasileiras de software e serviços de TI no comércio exterior.

As exportações de serviços de suporte em TI, outro item relevante na pauta das exportações brasileiras, sofreram menos com a crise. A receita com este tipo de atividade manteve-se em patamar semelhante ao observado em 2014: um pouco menos de US$ 200 milhões.

Os serviços de projeto e desenvolvimento de aplicativos e programas em TI também foram pouco abalados. Houve uma pequena redução no valor exportado (de US$ 500,5 milhões para US$ 489,9 milhões), com o principal item gerador de receita na categoria, serviços de projeto e desenvolvimento de software personalizado, crescendo 8,3% no período.

As exportações de serviços auxiliares de processamento de dados tampouco sentiram a crise, com a receita aumentando 16,3%.

Tabela 2 – Exportações Brasileiras de Software e Serviços de TI – Brasil, 2014 e 2015

Importações de software e serviços de TI

Tal como ocorrido com o setor brasileiro de serviços em geral, as importações de software e serviços de TI também despencaram em 2015 (Tabela 3).

Entre 2014 e 2015, houve uma redução expressiva na importação de serviços de consultoria em TI (-60,7%), item responsável por fatia considerável dos gastos com importação e que também já havia sofrido uma redução importante das exportações. Os serviços de suporte tiveram apenas uma pequena queda de receita, um indício de que têm importância para as empresas locais e que o fluxo continua ocorrendo mesmo em épocas de crise. Houve um crescimento relevante (superior a 100%) das importações de serviços envolvendo segurança em TI. Esses serviços, no entanto, respondem por uma fatia pouco expressiva dos gastos totais.

Nos serviços envolvendo projeto e desenvolvimento de software, houve redução relevante (superior a 50%) na rubrica outros serviços de projetos e desenvolvimento, embora a queda também aconteça em outros itens da categoria. No principal deles em termos de montantes envolvidos, os serviços de projeto e desenvolvimento de software personalizado, a queda foi pequena (1,0%). O mesmo acontece com os serviços de manutenção de aplicativos e programas. Os gastos na rubrica também são relevantes e a queda foi pouco expressiva, considerando o que ocorreu em outras categorias e subcategorias.

Ressalta-se, ainda, o crescimento significativo de importações de outros serviços de infraestrutura para hospedagem em TI. De um ano para outro, os gastos quase triplicaram, uma evidência da importância crescente da computação em nuvem e da ainda aparente dificuldade de o Brasil criar soluções próprias, internas, de hospedagem na nuvem.

Tabela 3 – Importações Brasileiras de Software e Serviços de TI – Brasil, 2014 e 2015

Software e serviços de TI representam, ainda, uma pequena parte das transações comerciais externas do país (4,2% das exportações e 2,3% das importações, em 2015) (Tabela 4).

A redução das exportações e importações brasileiras de software e serviços em 2015 em relação ao ano anterior foi menor do que a queda observada para as transações comerciais de serviços do país no período mencionado. Isso de alguma forma pode ser um indício da importância relativamente maior dos negócios digitais sobre o total dos demais serviços negociados com parceiros externos.

Tabela 4 – Participação das exportações e importações de software e serviços de TI no comércio externo de serviços – Brasil, 2014 e 2015

Tanto para software e serviços de TI como para os serviços em geral, a redução das importações foi superior a das exportações, o que é uma boa notícia. No entanto, é de se lamentar que o esforço que o governo brasileiro vem fazendo em prol das exportações brasileiras de software e serviços de TI, envolvendo iniciativas que tiveram início nos anos 90 com o surgimento do programa Softex e, mais recentemente, através de parcerias entre a Apex-Brasil e a Associação Softex e a Brasscom, tenham resultados ainda tão inexpressivos.

Com o intuito de dar satisfação para a sociedade civil e propor políticas públicas eficazes, seria muito adequado, inclusive, resgatar, definir e avaliar os resultados desses programas de exportações. Desnecessário mencionar que a tarefa precisaria ser realizada por parte independente.

Notas metodológicas

São apresentados dados dos dois módulos do SISCOSERV: Venda e Aquisição. Os dados extraídos do módulo Venda correspondem às vendas feitas por residentes ou domiciliados no Brasil a residentes ou domiciliados no exterior, ou seja, às exportações. De forma análoga, os dados extraídos do módulo Aquisição correspondem às aquisições feitas por residentes ou domiciliados no Brasil de residentes ou domiciliados no exterior, ou seja, às importações.

Para que o sigilo fiscal e comercial dos declarantes seja preservado, os dados são divulgados apenas quando os resultados incluem mais de três residentes ou domiciliados no Brasil.

Glossário:

BCB – Banco Central do Brasil

MDIC – Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio

NBS – Nomenclatura Brasileira de Serviços e Intangíveis

SCS – Secretaria de Comércio de Serviços

Siscoserv – Sistema de Comércio de Serviços

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Virgínia Duarte
Socióloga e cientista política, com especialização em gestão empresarial. Foi responsável pela área de Inteligência da Softex. Responsável técnica e coautora de várias publicações sobre o setor de TIC. É sócia-diretora da TIC em Foco Estudos e Projetos e editora do site/blog TIC em Foco.

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