Bring Your Own Device: sua organização já entrou nessa?

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Equipamentos eletrônicos pessoais, tais como celulares e tablets, e apps baixados a partir destes dispositivos, são cada vez mais utilizados nas empresas, em práticas denominadas BYOD (Bring Your Own Device) e BYOA (Bring Your Own Apps).

O fenômeno BYOD/OA cresce rapidamente, prometendo liberdade, agilidade e produtividade para as organizações. No entanto, traz uma série de novos questionamentos. Por exemplo, como trabalhar com plataformas diferentes? Qual o propósito de implantação de políticas de BYOD: redução de custos, satisfação do empregado, expansão das oportunidades de mobilidade?  Traz, também, preocupações que têm a ver com segurança da informação e proteção de dados: como garanti-las em um cenário em que ocorrerá um aumento vertiginoso da liberdade de escolha dos empregados?

Existem vários benefícios para implementação de política de BYOD. Os trabalhadores se sentem mais satisfeitos usando dispositivos e aplicativos que gostam de usar e as organizações economizam recursos, pelo menos inicialmente. O BYOD leva a um aumento do número de usuários de apps no local de trabalho, abrindo oportunidades de meios de comunicação além daqueles que vêm sendo tradicionalmente oferecidos pelo empregador. A prática deverá expandir os acessos da organização e ampliar as possibilidades para inovação.

É de se esperar que, até 2020, haja uma mudança importante na cultura empresarial, com cerca da metade dos empregadores estimulando o uso dos dispositivos móveis pessoais no trabalho, para fins de trabalho. Mas quem irá pagar pelos dispositivos móveis e pelos serviços relacionados? Atualmente, muitas empresas pioneiras, que já estão assimilando as práticas de BYOD, reembolsam os empregados pelos custos provenientes da aquisição de dispositivos e apps. Mas a tendência é que os subsídios diminuam com o tempo, com os empregados passando a arcar totalmente com os custos ou recebendo apenas alguma ajuda de custo por parte das empresas.

Se por um lado a implementação de BYOD irá permitir que as organizações reduzam os gastos com a aquisição de equipamentos, por outro, é provável que os gastos cresçam, nos anos seguintes, embalados pelas novas demandas impostas pelo cenário de mobilidade do qual BYOD é apenas um sintoma. O departamento de TI precisará olhar mais além das ferramentas de gestão dos dispositivos móveis para abranger, também, a gestão dos apps que as pessoas trarão para o ambiente de trabalho, já que muitos são projetados para uso em dispositivos móveis.

Hoje, ainda existe uma grande diferença entre as organizações e os países no que diz respeito à velocidade de adoção de práticas de BYOD. Seja como for, embora possa ter contornos específicos e ritmos diferentes lá e cá, trata-se de uma trajetória irreversível. Provavelmente, neste momento inicial, o tablet deverá ser o principal dispositivo carregado pelo empregado para o local de trabalho. Mas o que virá, depois dele?

A adoção de BYOD nas empresas irá certamente afetar a dinâmica de poder entre o departamento de TI e os usuários. A tecnologia torna-se cada vez mais intuitiva e orientada para o usuário, que ganha autossuficiência para escolher dispositivos, apps e métodos de trabalho e trazer para dentro das empresas hábitos diários e sociais próprios, o que pode gerar conflitos com o tipo de gestão implementado pela área de TI.

Vale lembrar que, no início da história da computação, o acesso dos usuários aos sistemas era restrito, realizado através de cartões perfurados e, posteriormente, por terminais acessados a partir dos locais de trabalho. O advento da computação pessoal permitiu que o usuário tivesse maior intimidade com as máquinas, embora o controle ainda estivesse nas mãos do departamento de TI. Smartphones tablets e app stores com centenas de milhares de apps popularizaram e estenderam a computação. A adoção dos dispositivos móveis permite a convergência entre o uso da TI por motivos pessoais e por razões de trabalho, para entretenimento e para assuntos sérios.

As ações envolvendo o emprego dos dispositivos móveis e de apps acontecem fora do controle e gestão do departamento de TI. A mudança tem impacto importante no papel do suporte técnico e do help desk. Eles não precisam mais ser consultados para acesso a serviços como Facebook, Twitter, etc. Através das mídias sociais, a sociedade se mobiliza e se autoajuda na solução dos problemas de uso.  O modelo tradicional de controle centralizado pela TI é aos poucos substituído por um modelo baseado em estruturas em rede. A sua organização já entrou nessa? E você, está preparado?

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Virgínia Duarte
Socióloga e cientista política, com especialização em gestão empresarial. Foi responsável pela área de Inteligência da Softex. Responsável técnica e coautora de várias publicações sobre o setor de TIC. É sócia-diretora da TIC em Foco Estudos e Projetos e editora do site/blog TIC em Foco.

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